O menisco é uma das estruturas mais importantes do joelho — e também uma das mais lesionadas. Ele funciona como amortecedor, distribuidor de carga e estabilizador da articulação. Quando lesionado, pode causar dor, bloqueio e, a longo prazo, acelerar o desgaste da cartilagem. A boa notícia: a cirurgia artroscópica moderna permite tratar e, muitas vezes, preservar o menisco com excelentes resultados.
O que é o menisco e qual sua função?
Cada joelho tem dois meniscos — o medial (interno) e o lateral (externo). São estruturas fibrocartilaginosas em forma de "C" que ficam entre o fêmur e a tíbia, funcionando como almofadas que absorvem impacto (suportam até 70% da carga em certas posições), distribuem o peso uniformemente pela articulação e auxiliam na estabilidade do joelho.
A remoção total do menisco — prática comum décadas atrás — está associada a artrose precoce e perda significativa de função. Por isso, a tendência moderna é sempre preservar o máximo possível do tecido meniscal.
Como ocorre a lesão de menisco?
Existem dois grandes grupos de lesões meniscais:
- Lesões traumáticas: Comum em jovens e atletas. Ocorrem por rotação forçada do joelho com o pé fixo no solo — frequente no futebol, basquete, tênis e lutas. Frequentemente associadas à lesão de LCA.
- Lesões degenerativas: Mais comuns a partir dos 40 anos, associadas ao desgaste natural do tecido. Podem ocorrer com movimentos simples do dia a dia, como agachar ou levantar de uma cadeira.
Sintomas: como identificar uma lesão de menisco?
Os sintomas variam conforme o tipo, localização e tamanho da lesão:
- Dor localizada na linha articular do joelho (medial ou lateral), que piora ao agachar, ajoelhar ou subir escadas
- Inchaço (derrame articular), especialmente nas primeiras horas após o trauma
- Estalo ou clique ao movimentar o joelho
- Travamento do joelho — incapacidade de estender completamente (sinal de "alça de balde")
- Sensação de instabilidade ou que o joelho vai "ceder"
Diagnóstico da lesão de menisco
O diagnóstico é feito pela combinação de anamnese, exame físico e exame de imagem:
- Exame clínico: Testes como McMurray, Thessaly e Apley avaliam a integridade meniscal com boa sensibilidade nas mãos de um examinador experiente.
- Ressonância magnética (RM): É o exame padrão para avaliar meniscos. Mostra a extensão, localização e tipo da lesão com alta acurácia — fundamental para planejar o tratamento.
Tipos de lesão meniscal
A classificação da lesão é fundamental para definir o tratamento:
- Lesão longitudinal: ao longo das fibras do menisco, mais passível de sutura
- Lesão em "alça de balde": fragmento grande que pode se deslocar e bloquear o joelho — geralmente requer tratamento cirúrgico urgente
- Lesão radial: compromete as fibras em arco, afeta diretamente a capacidade de absorção de carga
- Lesão degenerativa: tecido com múltiplas fissuras, mais comum em idosos
Quando o tratamento conservador é suficiente?
Nem toda lesão de menisco exige cirurgia. O tratamento conservador com fisioterapia, anti-inflamatórios e restrição de atividades pode ser eficaz em:
- Lesões degenerativas pequenas, em pacientes sedentários ou idosos
- Lesões parciais na zona vascularizada do menisco (que têm capacidade de cicatrização natural)
- Pacientes com múltiplas comorbidades que contraindiquem a cirurgia
Quando a cirurgia artroscópica é indicada?
A cirurgia está indicada quando:
- Há travamento do joelho ou bloqueio da extensão
- Os sintomas persistem após 4 a 6 semanas de tratamento conservador
- A lesão é de grande dimensão ou em zona avascular (sem capacidade de cicatrização)
- O paciente é jovem e/ou ativo e deseja retornar ao esporte
- Há lesão associada de LCA que também requer cirurgia
Sutura meniscal vs. meniscectomia parcial
Esta é uma das decisões mais importantes no tratamento cirúrgico do menisco:
- Sutura meniscal (preservação): O fragmento rompido é costurado de volta ao menisco, preservando o tecido. É a opção preferida quando tecnicamente viável — especialmente em jovens. Exige reabilitação mais lenta, mas oferece melhores resultados a longo prazo.
- Meniscectomia parcial: Remoção apenas do fragmento lesionado, preservando o máximo de menisco saudável. Recuperação mais rápida. Indicada quando a sutura não é possível — lesões avasculares, tecido muito degenerado.
Recuperação após cirurgia de menisco
- Meniscectomia parcial: retorno ao trabalho leve em 1 a 2 semanas; ao esporte em 4 a 8 semanas
- Sutura meniscal: reabilitação mais longa — 4 a 6 meses para retorno ao esporte de impacto, devido ao tempo necessário para cicatrização do menisco
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